Estudo da flora e fauna lacustre como base para o planejamento da hidromelioração, aumento da produtividade biológica e recuperação de corpos d’água

Por que é necessário um diagnóstico ambiental integrado do corpo d’água

Estudo da flora e fauna lacustre como base para o planejamento da hidromelioração
Estudo da flora e fauna lacustre como base para o planejamento da hidromelioração

As atividades modernas de limpeza, recuperação e gestão de lagos, lagoas, meandros abandonados e outros corpos d’água exigem não apenas soluções de engenharia, mas também uma compreensão aprofundada da ecologia do sistema aquático específico. A vegetação aquática e a fauna do lago não constituem apenas “lodo” ou crescimento desordenado, mas um sistema natural bem estruturado, formado de acordo com rigorosas leis ecológicas, refletindo a história geológica e a origem do corpo d’água.

A composição das espécies vegetais e sua distribuição por profundidade, a estrutura dos sedimentos de fundo e a morfologia da linha de margem determinam diretamente:

  • A transparência da água e os parâmetros hidroquímicos; determinadas plantas aquáticas e algas indicam a composição química da água e o grau de eutrofização do corpo d’água.
  • A taxa de assoreamento, determinada pelo grau de colonização vegetal e pela intensidade da renovação hídrica. O aporte de grandes quantidades de sólidos em suspensão provenientes de áreas alagadas e, principalmente, de áreas agrícolas cultivadas, fazendas, empreendimentos de mineração e outros biótopos alterados pela atividade humana acelera significativamente o assoreamento.
  • O nível de eutrofização, que expressa o enriquecimento do corpo d’água por nutrientes, sobretudo compostos de nitrogênio e fósforo, e a intensidade da produção biológica (algas, macrófitas, fitoplâncton).
  • O regime de oxigênio em diferentes profundidades.
  • A produtividade biológica; corpos d’água podem ser utilizados para a piscicultura, e essas possibilidades são identificadas por meio de estudos técnicos.
  • A estabilidade do ecossistema frente à pressão antrópica, área que envolve avaliações prognósticas e requer observações contínuas de longo prazo.

Por esse motivo, antes da realização de intervenções de limpeza do espelho d’água ou dos sedimentos de fundo, do uso do corpo d’água para fins aquícolas ou recreativos, bem como da execução de qualquer obra nas proximidades, é recomendável — e em alguns casos obrigatório — realizar um diagnóstico ambiental integrado com a participação de hidrólogos, biólogos e botânicos.

Solicite um estudo abrangente do lago, incluindo sua hidroquímica, flora e fauna, para planejar a restauração ecológica

    An example of how to create a profile of the vegetation zones and soils of a lake

    Um exemplo da elaboração de um perfil lacustre com a descrição das fácies – zonas de vegetação e solos subjacentes

    Exemplo da elaboração de um perfil de lago com a descrição das fácies — zonas de vegetação e sedimentos de fundo subjacentes — baseado em uma monografia científica sobre a documentação da vegetação aquática e dos sedimentos.

    Perfil da vegetação aquática e dos sedimentos de fundo de um lago. Corte transversal através do Lago Naroch ao longo do transecto entre a vila de Stebenevo e a vila de Nanosy.

    Fácies, m (distância) Características dos sedimentos de fundo Associação vegetal
    1 0.0—0.7 Areia siltosa Associação Sparganium–Elodea–Lemna (24 espécies)
    2 0.7—1.0 Areia siltosa Associação Phragmites–Chara–Potamogeton (11 espécies)
    3 1.0—3.0 Areia siltosa Associação Chara–Stratiotes com Potamogeton (3 espécies)
    4 3.0—6.0 Areia siltosa Associação Chara–Ceratophyllum (4 espécies)
    5 6.0—8.0 Sapropel carbonatado Associação de Ceratophyllum (2 espécies)
    6 4.0—6.0 Sapropel carbonatado Associação Elodea–Ceratophyllum (4 espécies)
    7 2.0—4.0 Areia com cascalho Associação Chara–Bryophyta (4 espécies)
    8 4.0—6.0 Areia com cascalho Associação Chara–Ceratophyllum (3 espécies)
    9 7.0—9.5 Sapropel carbonatado Associação de Ceratophyllum (2 espécies)
    10 6.0—8.0 Sapropel carbonatado Associação de Chara (2 espécies)
    11 5.0—6.0 Sapropel carbonatado Associação Elodea–Ceratophyllum (4 espécies)
    12 2.0—5.0 Areia siltosa com conchas Associação Elodea–Chara (3 espécies)
    13 0.6—2.0 Areia siltosa* Associação Phragmites–Chara (2 espécies)
    14 0.2—0.6 Material arenoso–cascalhoso* Associação Potamogeton–Chara

    * Depósitos arenosos a uma profundidade de 8–10 cm são subjacentes ao sapropel carbonatado.

    Finalidades dos estudos de corpos d’água

    typical flora and fauna of a lake in the middle zone of the continental climate zoneO estudo de um lago ou outro corpo d’água — lagoa, meandro abandonado (remanso do rio), reservatório, rio ou córrego — pode ser realizado com os seguintes objetivos:

    1. Estudos entomológicos e implementação de medidas para prevenir surtos de febre do Nilo Ocidental, malária, vírus Zika e outras doenças parasitárias.
    2. Determinação da linha de margem (limite do corpo d’água), bem como dos limites das zonas de proteção hídrica e das faixas marginais de proteção.
    3. Determinação das características hidrológicas e morfométricas do corpo d’água.
    4. Elaboração de laudo hidrológico contendo os parâmetros morfométricos e a descrição do regime hidrológico do corpo d’água.

    Princípios do diagnóstico do lago e da linha de margem

    O diagnóstico ambiental integrado do corpo d’água inclui:

    • análise do espelho d’água e do perfil do fundo;
    • descrição da linha de margem, dos limites do corpo d’água, das zonas de proteção hídrica e das faixas marginais de proteção;
    • estudo da flora, algas e macrófitas;
    • descrição da fauna e dos organismos aquáticos (hidrobiontes);
    • avaliação do grau de impacto antrópico.

    A natureza da pressão antrópica — agricultura, urbanização, recreação, lançamentos de efluentes e escoamento superficial — determina diretamente o tipo e a escala das medidas de recuperação biológica necessárias para o corpo d’água e as áreas adjacentes.

    É dada atenção especial aos estudos de corpos d’água localizados em unidades de conservação, como parques, reservas naturais e áreas protegidas. Corpos d’água sob regime de proteção e com acesso restrito exigem procedimentos específicos e a obtenção de autorizações. Os principais métodos de pesquisa — análises hidroquímicas e estudos de flora e fauna — em geral não afetam de forma significativa o regime de proteção, mas exigem a participação de profissionais devidamente habilitados.

    Nos casos de degradação quase total do corpo d’água — assoreamento completo, crescimento excessivo da vegetação e redução acentuada da lâmina d’água — a prioridade é a remoção mecânica da vegetação e dos sedimentos de fundo. Em todas as demais situações — ecossistemas preservados, obras de engenharia, projetos de urbanização ou uso aquícola — a investigação científica é fundamental.

    As macrófitas como base da ecologia do lago

    A vegetação aquática superior compreende as macrófitas, isto é, plantas aquáticas de grande porte, incluindo plantas com flores e algumas algas de maior tamanho, que habitam a zona litorânea e o fundo do corpo d’água.

    As macrófitas:

    • absorvem nutrientes provenientes da bacia hidrográfica;
    • reduzem a intensidade das florações algais;
    • estabilizam os sedimentos de fundo;
    • formam filtros biológicos naturais;
    • servem de abrigo e áreas de desova para os peixes;
    • criam habitats para o plâncton, larvas e microrganismos.

    Com a senescência e decomposição, as plantas formam lodo e sapropel, que atuam como acumuladores de matéria orgânica e contribuem para a fertilidade dos sedimentos de fundo.

    Fácies e zonamento da vegetação aquática

    As plantas aquáticas nos lagos não se distribuem de forma aleatória, mas organizam-se em faixas paralelas à linha de margem. Essas faixas são denominadas fácies, áreas caracterizadas por uma composição homogênea de macrófitas e por um tipo específico de substrato de fundo. O termo é originário da geologia e da ecologia e reflete a organização estrutural da paisagem.

    A distribuição das fácies é determinada por:

    • profundidade;
    • transparência e composição química da água;
    • tipo de sedimentos de fundo;
    • ação do vento e das ondas;
    • forma e origem do lago (glacial, cárstica, entre outras).

    A maioria dos lagos de origem glacial apresenta faixas bem definidas de vegetação e substratos, o que possibilita a elaboração de mapas de perfis e a análise da dinâmica evolutiva do corpo d’água.

    Principais faixas de vegetação aquática

    1. Zona palustre litorânea

    Zona rasa na borda da água, com presença de cálamo (Acorus), ciperáceas (Carex), calêndula-dos-pântanos (Caltha), sagitária (Sagittaria) e ranúnculos (Ranunculus). É a primeira a receber o escoamento superficial e desempenha papel fundamental na depuração biológica da água.

    2. Faixa de plantas emergentes e semi-submersas

    Localiza-se em profundidades de até 1–2 m. Em substratos arenosos predominam os juncos e taboas, enquanto em fundos lodosos dominam o junco e gramíneas aquáticas. Forma uma “segunda margem” e protege o espelho d’água contra a ação das ondas.

    3. Plantas com folhas flutuantes

    Ninfeias (Nymphaea), nuphar (Nuphar), potamogêtons flutuantes (Potamogeton) e lentilha-d’água (Lemna). Essas plantas criam zonas de calma e são indicadoras de bom estado ecológico do corpo d’água. Muitas dessas espécies são protegidas por legislação ambiental.

    4. Plantas totalmente submersas

    Potamogêtons, Elodea, ceratofilo (Ceratophyllum), milfólio aquático (Myriophyllum) e algas carófitas. Em corpos d’água transparentes, podem crescer em profundidades de até 7–8 m.

    Relação entre a vegetação e os sedimentos de fundo

    O tipo de substrato de fundo determina diretamente a estrutura das comunidades vegetais:

    • areia e cascalho: áreas pobres em vegetação;
    • fundos lodosos: as áreas mais produtivas;
    • lodos carbonatados: zonas de desenvolvimento de algas carófitas;
    • substratos turfosos: áreas com crescimento vegetal limitado.

    Isso explica as diferenças entre lagos que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.

    Flora, fauna e produtividade biológica

    O estudo das macrófitas é indissociável da avaliação da fauna. As comunidades vegetais formam a base alimentar, os abrigos e as áreas de desova para peixes e invertebrados.

    Têm especial relevância:

    • moluscos (por exemplo, náiades), indicadores da qualidade ambiental do corpo d’água;
    • invertebrados, base das cadeias tróficas aquáticas;
    • peixes, reguladores das populações de insetos, incluindo mosquitos.

    Em um contexto de aquecimento global, a análise entomológica e o desenvolvimento de medidas de prevenção epidemiológica (febre do Nilo Ocidental, malária, vírus Zika, entre outras) tornam-se componentes obrigatórios dos estudos, especialmente em regiões meridionais, subtropicais e de clima fortemente continental.

    O crescimento excessivo dos lagos e o papel do ser humano

    O processo de colonização vegetal e assoreamento dos corpos d’água é natural e ocorre ao longo de milhares de anos:

    • lagos oligotróficos;
    • lagos mesotróficos;
    • lagos eutróficos;
    • fases de paludificação.

    A interferência antrópica acelera drasticamente essas etapas. A compreensão do estágio atual de desenvolvimento do corpo d’água permite selecionar métodos de intervenção adequados e ambientalmente seguros. A recuperação do corpo d’água pode incluir a remoção de sedimentos e o aprofundamento do fundo, ou limitar-se apenas à retirada de resíduos sólidos e restos vegetais ou lenhosos.

    Justificativa das medidas de hidromelioração e limpeza

    Com base no diagnóstico ambiental integrado, são elaboradas recomendações e planos de ação que incluem:

    • limpeza seletiva do fundo;
    • manejo da vegetação de macrófitas;
    • fortalecimento das funções das zonas de proteção hídrica;
    • redução do aporte de nutrientes (biogênicos);
    • controle biológico e, quando identificados vetores de doenças, controle químico das populações de insetos;
    • aumento do valor aquícola e recreativo do corpo d’água.

    A limpeza do corpo d’água não é considerada uma ação pontual, mas parte de um sistema integrado de redução da pressão antrópica e de gestão ambiental.

    A vegetação aquática e a fauna constituem indicadores-chave do estado ecológico do lago. Um estudo bem conduzido permite não apenas planejar a limpeza, mas também prolongar a vida útil do corpo d’água, aumentar sua produtividade e preservar o equilíbrio natural.

    Nossos serviços

    Prestamos serviços de diagnóstico ambiental integrado de corpos d’água, elaboramos relatórios e recomendações, e desenvolvemos soluções para limpeza, recuperação ambiental e acompanhamento ecológico.

    Custo do estudo do corpo d’água

    O custo dos serviços de estudo de um corpo d’água — lago, rio, meandro abandonado ou reservatório — é definido com base no conjunto de atividades previstas no contrato ou no termo de referência técnico.

    O custo do estudo de campo pode incluir:

    • levantamentos geodésicos e batimétricos;
    • diagnóstico rápido dos parâmetros da água e dos sedimentos, bem como análises laboratoriais;
    • honorários de biólogos, entomólogos e botânicos envolvidos no estudo da flora e fauna do corpo d’água, incluindo análises laboratoriais especializadas;
    • estudos ictiológicos com participação de especialistas, determinação da composição específica e avaliação do estado sanitário da ictiofauna;
    • monitoramento entomológico de mosquitos hematófagos Aedes aegypti e Aedes albopictus, bem como a determinação da abundância de Culex (mosquito comum), cujos criadouros se localizam em áreas habitadas;
    • estudo da linha de margem com caracterização da vegetação, elaboração de plano dendrológico e inventário arbóreo;
    • delimitação em campo dos limites das zonas de proteção hídrica e avaliação conforme o termo de referência;
    • despesas com deslocamento de especialistas, transporte de equipamentos e instrumentos;
    • elaboração de mapas, relatórios, planilhas e projetos de intervenção, quando previstos após a realização do estudo.

    Entre em contato para solicitar o estudo de um corpo d’água.
    Fale conosco caso seja necessária a limpeza e recuperação ambiental do corpo d’água.