Finalidades dos estudos de corpos d’água
O estudo de um lago ou outro corpo d’água — lagoa, meandro abandonado (remanso do rio), reservatório, rio ou córrego — pode ser realizado com os seguintes objetivos:
- Estudos entomológicos e implementação de medidas para prevenir surtos de febre do Nilo Ocidental, malária, vírus Zika e outras doenças parasitárias.
- Determinação da linha de margem (limite do corpo d’água), bem como dos limites das zonas de proteção hídrica e das faixas marginais de proteção.
- Determinação das características hidrológicas e morfométricas do corpo d’água.
- Elaboração de laudo hidrológico contendo os parâmetros morfométricos e a descrição do regime hidrológico do corpo d’água.
Princípios do diagnóstico do lago e da linha de margem
O diagnóstico ambiental integrado do corpo d’água inclui:
- análise do espelho d’água e do perfil do fundo;
- descrição da linha de margem, dos limites do corpo d’água, das zonas de proteção hídrica e das faixas marginais de proteção;
- estudo da flora, algas e macrófitas;
- descrição da fauna e dos organismos aquáticos (hidrobiontes);
- avaliação do grau de impacto antrópico.
A natureza da pressão antrópica — agricultura, urbanização, recreação, lançamentos de efluentes e escoamento superficial — determina diretamente o tipo e a escala das medidas de recuperação biológica necessárias para o corpo d’água e as áreas adjacentes.
É dada atenção especial aos estudos de corpos d’água localizados em unidades de conservação, como parques, reservas naturais e áreas protegidas. Corpos d’água sob regime de proteção e com acesso restrito exigem procedimentos específicos e a obtenção de autorizações. Os principais métodos de pesquisa — análises hidroquímicas e estudos de flora e fauna — em geral não afetam de forma significativa o regime de proteção, mas exigem a participação de profissionais devidamente habilitados.
Nos casos de degradação quase total do corpo d’água — assoreamento completo, crescimento excessivo da vegetação e redução acentuada da lâmina d’água — a prioridade é a remoção mecânica da vegetação e dos sedimentos de fundo. Em todas as demais situações — ecossistemas preservados, obras de engenharia, projetos de urbanização ou uso aquícola — a investigação científica é fundamental.
As macrófitas como base da ecologia do lago
A vegetação aquática superior compreende as macrófitas, isto é, plantas aquáticas de grande porte, incluindo plantas com flores e algumas algas de maior tamanho, que habitam a zona litorânea e o fundo do corpo d’água.
As macrófitas:
- absorvem nutrientes provenientes da bacia hidrográfica;
- reduzem a intensidade das florações algais;
- estabilizam os sedimentos de fundo;
- formam filtros biológicos naturais;
- servem de abrigo e áreas de desova para os peixes;
- criam habitats para o plâncton, larvas e microrganismos.
Com a senescência e decomposição, as plantas formam lodo e sapropel, que atuam como acumuladores de matéria orgânica e contribuem para a fertilidade dos sedimentos de fundo.
Fácies e zonamento da vegetação aquática
As plantas aquáticas nos lagos não se distribuem de forma aleatória, mas organizam-se em faixas paralelas à linha de margem. Essas faixas são denominadas fácies, áreas caracterizadas por uma composição homogênea de macrófitas e por um tipo específico de substrato de fundo. O termo é originário da geologia e da ecologia e reflete a organização estrutural da paisagem.
A distribuição das fácies é determinada por:
- profundidade;
- transparência e composição química da água;
- tipo de sedimentos de fundo;
- ação do vento e das ondas;
- forma e origem do lago (glacial, cárstica, entre outras).
A maioria dos lagos de origem glacial apresenta faixas bem definidas de vegetação e substratos, o que possibilita a elaboração de mapas de perfis e a análise da dinâmica evolutiva do corpo d’água.
Principais faixas de vegetação aquática
1. Zona palustre litorânea
Zona rasa na borda da água, com presença de cálamo (Acorus), ciperáceas (Carex), calêndula-dos-pântanos (Caltha), sagitária (Sagittaria) e ranúnculos (Ranunculus). É a primeira a receber o escoamento superficial e desempenha papel fundamental na depuração biológica da água.
2. Faixa de plantas emergentes e semi-submersas
Localiza-se em profundidades de até 1–2 m. Em substratos arenosos predominam os juncos e taboas, enquanto em fundos lodosos dominam o junco e gramíneas aquáticas. Forma uma “segunda margem” e protege o espelho d’água contra a ação das ondas.
3. Plantas com folhas flutuantes
Ninfeias (Nymphaea), nuphar (Nuphar), potamogêtons flutuantes (Potamogeton) e lentilha-d’água (Lemna). Essas plantas criam zonas de calma e são indicadoras de bom estado ecológico do corpo d’água. Muitas dessas espécies são protegidas por legislação ambiental.
4. Plantas totalmente submersas
Potamogêtons, Elodea, ceratofilo (Ceratophyllum), milfólio aquático (Myriophyllum) e algas carófitas. Em corpos d’água transparentes, podem crescer em profundidades de até 7–8 m.
Relação entre a vegetação e os sedimentos de fundo
O tipo de substrato de fundo determina diretamente a estrutura das comunidades vegetais:
- areia e cascalho: áreas pobres em vegetação;
- fundos lodosos: as áreas mais produtivas;
- lodos carbonatados: zonas de desenvolvimento de algas carófitas;
- substratos turfosos: áreas com crescimento vegetal limitado.
Isso explica as diferenças entre lagos que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.
Flora, fauna e produtividade biológica
O estudo das macrófitas é indissociável da avaliação da fauna. As comunidades vegetais formam a base alimentar, os abrigos e as áreas de desova para peixes e invertebrados.
Têm especial relevância:
- moluscos (por exemplo, náiades), indicadores da qualidade ambiental do corpo d’água;
- invertebrados, base das cadeias tróficas aquáticas;
- peixes, reguladores das populações de insetos, incluindo mosquitos.
Em um contexto de aquecimento global, a análise entomológica e o desenvolvimento de medidas de prevenção epidemiológica (febre do Nilo Ocidental, malária, vírus Zika, entre outras) tornam-se componentes obrigatórios dos estudos, especialmente em regiões meridionais, subtropicais e de clima fortemente continental.
O crescimento excessivo dos lagos e o papel do ser humano
O processo de colonização vegetal e assoreamento dos corpos d’água é natural e ocorre ao longo de milhares de anos:
- lagos oligotróficos;
- lagos mesotróficos;
- lagos eutróficos;
- fases de paludificação.
A interferência antrópica acelera drasticamente essas etapas. A compreensão do estágio atual de desenvolvimento do corpo d’água permite selecionar métodos de intervenção adequados e ambientalmente seguros. A recuperação do corpo d’água pode incluir a remoção de sedimentos e o aprofundamento do fundo, ou limitar-se apenas à retirada de resíduos sólidos e restos vegetais ou lenhosos.
Justificativa das medidas de hidromelioração e limpeza
Com base no diagnóstico ambiental integrado, são elaboradas recomendações e planos de ação que incluem:
- limpeza seletiva do fundo;
- manejo da vegetação de macrófitas;
- fortalecimento das funções das zonas de proteção hídrica;
- redução do aporte de nutrientes (biogênicos);
- controle biológico e, quando identificados vetores de doenças, controle químico das populações de insetos;
- aumento do valor aquícola e recreativo do corpo d’água.
A limpeza do corpo d’água não é considerada uma ação pontual, mas parte de um sistema integrado de redução da pressão antrópica e de gestão ambiental.
A vegetação aquática e a fauna constituem indicadores-chave do estado ecológico do lago. Um estudo bem conduzido permite não apenas planejar a limpeza, mas também prolongar a vida útil do corpo d’água, aumentar sua produtividade e preservar o equilíbrio natural.
Nossos serviços
Prestamos serviços de diagnóstico ambiental integrado de corpos d’água, elaboramos relatórios e recomendações, e desenvolvemos soluções para limpeza, recuperação ambiental e acompanhamento ecológico.
Custo do estudo do corpo d’água
O custo dos serviços de estudo de um corpo d’água — lago, rio, meandro abandonado ou reservatório — é definido com base no conjunto de atividades previstas no contrato ou no termo de referência técnico.
O custo do estudo de campo pode incluir:
- levantamentos geodésicos e batimétricos;
- diagnóstico rápido dos parâmetros da água e dos sedimentos, bem como análises laboratoriais;
- honorários de biólogos, entomólogos e botânicos envolvidos no estudo da flora e fauna do corpo d’água, incluindo análises laboratoriais especializadas;
- estudos ictiológicos com participação de especialistas, determinação da composição específica e avaliação do estado sanitário da ictiofauna;
- monitoramento entomológico de mosquitos hematófagos Aedes aegypti e Aedes albopictus, bem como a determinação da abundância de Culex (mosquito comum), cujos criadouros se localizam em áreas habitadas;
- estudo da linha de margem com caracterização da vegetação, elaboração de plano dendrológico e inventário arbóreo;
- delimitação em campo dos limites das zonas de proteção hídrica e avaliação conforme o termo de referência;
- despesas com deslocamento de especialistas, transporte de equipamentos e instrumentos;
- elaboração de mapas, relatórios, planilhas e projetos de intervenção, quando previstos após a realização do estudo.
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Fale conosco caso seja necessária a limpeza e recuperação ambiental do corpo d’água.